
O curso de Odontologia da Universidade Paranaense (Unipar) realizou, no dia 27 de agosto, o Café com Mães, em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Umuarama. A atividade integrou a programação alusiva à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e reuniu acadêmicos, professores e familiares atendidos pela instituição.
Acadêmicos do quarto ano integral participaram da ação e foram até a Apae para compartilhar informações sobre saúde bucal e conversar com as mães sobre os desafios envolvidos nos cuidados odontológicos de pessoas com deficiência.
O encontro também abriu espaço para perguntas e troca de experiências sobre situações enfrentadas pelas famílias no dia a dia.
Orientações sobre saúde bucal

Durante a atividade, os estudantes abordaram diferentes temas relacionados à prevenção e aos cuidados com a saúde bucal, como aftas, herpes, técnicas adequadas de escovação e procedimentos que podem facilitar a higiene diária.
As orientações chamaram a atenção para a importância da prevenção e do acompanhamento odontológico, principalmente porque problemas inicialmente simples podem evoluir e provocar complicações quando não recebem os cuidados necessários.
Um dos exemplos apresentados foi a gengivite, inflamação que pode avançar para a periodontite quando não tratada adequadamente. Em situações mais graves, a doença periodontal pode comprometer as estruturas de sustentação dos dentes e resultar na perda de elementos dentais.
A atividade buscou estimular os cuidados preventivos e mostrar às participantes como pequenas mudanças na rotina de higiene podem contribuir para a manutenção da saúde bucal e para a prevenção de complicações futuras.
Além das orientações, o Café com Mães proporcionou uma troca de experiências entre estudantes e familiares.
O contato direto com as participantes aproximou os acadêmicos de situações que fazem parte da rotina das famílias e levou para fora da sala de aula conhecimentos trabalhados durante a graduação.
Experiência para os acadêmicos

Para o acadêmico Bruno Henrique Morel Albarez Cavalaro, participar dessas atividades desde os primeiros anos da graduação contribui para compreender aspectos da profissão que vão além do atendimento clínico.
“Esse trabalho que a professora Luciana Zafanelli faz com a gente desde o primeiro ano é muito importante, porque ela nos insere na realidade do trabalho. Quando entramos na faculdade, pensamos muito na parte profissional e aqui ela nos insere no mercado de trabalho de uma forma mais humanitária, com propósito. Então, acredito que não teria essa experiência se não fosse dentro da faculdade com ela”, disse.
O contato com as mães também permitiu aos estudantes conhecer histórias e experiências relacionadas aos cuidados de pessoas com deficiência.
Troca de experiências
As mães também compartilharam experiências durante o encontro e falaram sobre a importância de iniciativas que aproximam estudantes, professores e familiares de pessoas com deficiência.
Joselaine Batista, mãe de um menino com deficiência, contou que as atividades desenvolvidas pela universidade contribuem tanto para o aprendizado dos acadêmicos quanto para a orientação das famílias.
“Esses encontros são muito bons. Tudo que a doutora faz e coloca os alunos para fazer é extremamente importante. Porque os alunos vão praticando o que eles precisam fazer e a gente vai aprendendo com os alunos e com a professora. Então, é sempre maravilhoso. Tanto as palestras quanto os atendimentos lá na clínica da Unipar”, relatou.
A aproximação também ajuda as famílias a esclarecer dúvidas que nem sempre chegam ao consultório odontológico e permite que os acadêmicos compreendam, na prática, os desafios envolvidos na realização da higiene bucal e na manutenção dos cuidados preventivos.
Formação e atendimento humanizado
A professora de Estágio Profissional de Pacientes com Necessidades Especiais da Unipar, Luciana Zafanelli, explicou que desenvolve esse tipo de atividade com estudantes que estão próximos de concluir a graduação.
A proposta é prepará-los para situações que poderão encontrar na rotina profissional e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso das famílias às orientações sobre saúde bucal.
“Faço esse trabalho sempre com os alunos do último ano, porque são os alunos preparados. Essa é uma oportunidade porque no ano que vem eles estarão no mercado de trabalho e assim já começam a entender como a realidade funciona. Essa ação tem como objetivo sensibilizar e humanizar ainda mais os nossos acadêmicos e também estar acessível a essas mães, que às vezes por vergonha, falta de tempo ou por não saber mesmo, não executam os procedimentos de higiene bucal corretamente. Então, vindo até aqui, estou ensinando, aprendendo com elas também e motivando a cuidar”, explicou.
Segundo a professora, levar os estudantes para esse contato direto permite que eles conheçam uma realidade que nem sempre pode ser reproduzida em sala de aula.
Ao mesmo tempo, as mães encontram um espaço para conversar, apresentar dificuldades e receber orientações que podem ser incorporadas à rotina de cuidados.
Para os acadêmicos, a experiência também trabalhou o aspecto humano da profissão.
O contato com as histórias das famílias ampliou a compreensão sobre as necessidades de pacientes que demandam atendimento especializado e mostrou a importância de uma abordagem que considere não apenas as condições clínicas, mas também a realidade de cada pessoa.
Saúde bucal e qualidade de vida
A atividade também abordou a relação entre prevenção, saúde bucal e qualidade de vida.
A proposta foi mostrar que os cuidados cotidianos, aliados ao acompanhamento profissional, podem reduzir o risco de complicações e contribuir para o bem-estar das pessoas com deficiência.
Informações sobre higiene, escovação e identificação de alterações na boca podem ajudar mães e responsáveis a perceber problemas mais cedo e procurar atendimento quando necessário.
Para Luciana, a experiência também permite que os estudantes encerrem a atividade com uma percepção mais ampla sobre a contribuição social da profissão e sobre o impacto que o atendimento odontológico pode ter na rotina e na qualidade de vida dos pacientes.






