terça-feira, 27 de outubro de 2026

Antônio Buscariollo e 3 filhos são indiciados pela chacina de Icaraíma

Após um ano de investigação, Polícia Civil aponta responsáveis pela execução de 4 cobradores de dívidas

CSites

A Polícia Civil do Paraná concluiu este mês de outubro o Inquérito Policial que apurou a autoria de 4 homicídios praticados  em 5 de agosto de 2025, na zona rural de Icaraíma, no Noroeste do Estado. A investigação foi presidida pelo delegado Thiago Andrade Inácio, auxiliado por uma equipe técnica especializada.

Ao término dos trabalhos, 4 investigados (pai e filhos) foram indiciados pelos crimes de homicídio qualificado (por 4 vezes), ocultação de cadáver (4 vezes), associação criminosa e fraude processual. Todos se encontram presos preventivamente desde o dia 18 de agosto deste ano, após captura deles no interior de São Paulo.

Investigação complexa  

Desde o recebimento da notícia do desaparecimento das vítimas paulistas no distrito de Vila Rica do Ivaí, o caso foi tratado como prioridade. A investigação revelou uma empreitada criminosa de excepcional complexidade, com indícios de planejamento prévio, divisão de tarefas e atuação coordenada de um grupo com significativa influência na região.

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Emboscada e execuções

As vítimas — Alencar Gonçalves de Souza Giron, 36, Diego Henrique Afonso, 39, Rafael Juliano Marascalchi, 43 e Robishley Hirnani de Oliveira, 53 — foram atraídas até uma propriedade rural sob o pretexto de solucionar uma controvérsia financeira decorrente do desfazimento de um negócio imobiliário (sítio). A dívida, representada por 10 notas promissórias, totalizava R$ 255 mil.

Conforme apurado pelas autoridades policiais, as 4 vítimas foram conduzidas ao local e surpreendidas por uma emboscada, sendo executadas com armas de fogo de diferentes calibres. Posteriormente, os cadáveres e o veículo Fiat Toro utilizado pelas vítimas foram ocultados em compartimentos subterrâneos clandestinos (bunkers), na região conhecida como mata do Tenente. A investigação também identificou ações voltadas à eliminação de vestígios e à obstrução da apuração dos fatos.

Ao longo de mais de 1 ano de trabalhos investigativos, foram realizadas centenas de diligências, incluindo buscas em extensas áreas rurais, levantamentos de inteligência, exames periciais complexos, análises balísticas, extrações e exames de dispositivos eletrônicos, análise de dados telemáticos e financeiros, quebras de sigilo autorizadas judicialmente, oitivas de dezenas de testemunhas e cumprimento de medidas cautelares. A análise integrada desses elementos permitiu reconstruir a dinâmica criminosa e individualizar a participação dos 4 investigados.

Trabalho integrado

A atuação integrada das forças de segurança foi fundamental para o avanço das investigações. Com apoio da Secretaria da Segurança Pública, participaram dos trabalhos a Polícia Militar do Paraná, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, a Polícia Científica — por meio do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal —, a Polícia Penal e a Força Nacional de Segurança Pública.

A investigação também contou com o apoio do Núcleo de Investigação Qualificada (NIQ), do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE), do Instituto de Identificação e de equipes especializadas da Polícia Civil e de órgãos de segurança pública do Estado de São Paulo, além de outras forças de segurança e setores especializados que contribuíram para a realização das diligências e a localização dos investigados.

– Pai e filhos indiciados

Foram indiciados Antônio Buscariollo, 67, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, 22, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, pelos crimes previstos nos artigos 121, § 2º, incisos I, III e IV (por vezes); 211 (por 4 vezes); 288; e 347, todos do Código Penal.

Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados para apreciação do Ministério Público, que oferecerá ou não à Justiça, denúncia contra os investigados.

O delegado explicou que as investigações prosseguem para identificar e apurar a eventual participação de outros envolvidos na empreitada criminosa, inclusive nos núcleos de execução, apoio logístico e ocultação de vestígios.

A reportagem não conseguiu contatou com o representante legal dos investigados durante edição desse conteúdo. O espaço está livre para eventual manifestação. 

 

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