Uma das figuras mais importantes da história do teatro de Umuarama ajudou a abrir as cortinas para que um espetáculo português, aclamado em seu país de origem, chegasse ao Noroeste do Paraná. O ator e diretor Luiz Guarnieri, que viveu por 10 anos no município, formou gerações de artistas, dirigiu e encenou inúmeras produções e foi professor de artes cênicas do projeto Pitoresco, da Universidade Paranaense (Unipar). Agora, por influência dele, a cidade receberá a peça ‘O Olho Perdido de Camões’, nos dias 29 e 30 de agosto, no Centro Cultural Vera Schubert.
Criado pelo dramaturgo português Nelson Monforte e financiado pelo governo de Portugal, o espetáculo integra as comemorações pelos 500 anos de nascimento de Luís de Camões, considerado o maior nome da literatura portuguesa e um dos principais expoentes da literatura universal; foram mais de 30 encenações lá. No Brasil, veio em novembro de 2024, na Casa de Portugal, no Bairro Liberdade da cidade de São Paulo.

A montagem propõe um diálogo entre arte, saúde mental e identidade coletiva, utilizando a obra de Camões como ponto de partida para uma reflexão sobre a condição humana e os conflitos do mundo contemporâneo. “Inspirada especialmente em ‘Os Lusíadas’, a peça combina poesia épica e elementos cênicos modernos em uma encenação intensa, marcada por performances físicas, projeções audiovisuais e uma atmosfera imersiva”, explica Guarnieri.
Segundo ele, a importância da peça vai além de revisitar a obra do poeta português. “Ela convida o público a embarcar em uma viagem entre passado e presente, tradição e contemporaneidade, explorando a força transformadora da arte e a capacidade da literatura de criar conexões entre diferentes povos e culturas”, destaca.
E garante: “É um espetáculo intenso, que mistura poesia, imagens, movimento e emoção, que, ao longo da história, convida o espectador a fazer uma viagem interior e a refletir sobre questões que pertencem a todos nós”.
Emoção de voltar a Umuarama
Guarnieri, que mora em Lisboa/Portugal há 5 anos, onde atua em teatro e televisão [na TVI, um dos principais canais abertos do país] e é professor de artes cênicas, faz questão de ressaltar que voltar a Umuarama com este espetáculo tem um significado muito especial para ele.
“Foi uma cidade que me acolheu, onde vivi momentos importantes da minha trajetória artística e onde tive a oportunidade de ensinar e aprender com tantas pessoas. Trazer essa peça para cá é, de certa forma, um reencontro com uma parte da minha história”, declara.

Também dá um aviso: o público não precisa conhecer a obra de Camões para se emocionar ou se identificar com o que é apresentado em cena. “A peça utiliza a obra de Camões como ponto de partida para discutir temas muito atuais, como a identidade, a condição humana, as nossas contradições e até a capacidade transformadora da arte”, justifica, convidando a todos para prestigiar.
“Meu convite é para que as pessoas de Umuarama aproveitem essa oportunidade. Não é todo dia que a cidade recebe uma produção internacional dessa beleza. Será uma noite de encontro com a arte, com a poesia e, sobretudo, com aquilo que nos torna humanos.”
A entrada é gratuita. A trupe portuguesa também se propõe a mais três apresentações fechadas para os alunos do Núcleo Regional de Ensino e a ministrar oficina para alunos e fãs de teatro no Centro Cultural Vera Schubert.