Policial

PF desarticula grupo que praticava crimes contra o sistema financeiro

Grupo é suspeito de ter captado mais de R$ 200 milhões de suas vítimas, com a falsa promessa de investimentos em bolsa de valores

A Polícia Federal, em trabalho conjunto com a Receita Federal do Brasil, deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Traders. A ação tem o objetivo de desarticular grupo criminoso que praticava crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, contra o mercado de capitais e de pirâmide financeira em diversas cidades paranaenses. A sede física da organização é na cidade de Umuarama, informou o delegado Rafael Favreto Machado.

Além do Paraná, a organização operava também nos estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.

Os investigados se apresentavam como “Traders” para captar economias de vítimas/investidores, a pretexto de aplicar os recursos no mercado de valores mobiliários.

Organização criminosa atuava em cidades de vários estados.

A investigação apontou que retornos acima daqueles praticados no mercado eram prometidos (lucros de até 6,4%), embora as “mesas proprietárias” apresentassem perdas consistentes, principalmente em operações de “day trade”, ou seja, além de não aplicar na bolsa de valores a integralidade dos recursos, o que era aplicado, normalmente resultava em prejuízo.

As operações eram feitas através de, pelo menos 22 empresas não autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a captar recursos e realizar investimentos no mercado.

Os investigados emitiram e ofereceram ao público valores mobiliários consistentes em contratos de investimento coletivo em nome de empresa de fachada, sem registro prévio de emissão junto à CVM, sem lastro ou garantia suficientes e sem autorização prévia da CVM.

Com o passar do tempo e como é natural nesse esquema, os investigados não conseguiam mais honrar os compromissos assumidos, vez que os valores arrecadados não eram de fato investidos em operações de bolsa de valores e quando eram, não resultavam nos lucros prometidos.

A partir disso, a líder do esquema, que residia em Umuarama/PR, passou a dissimular o objeto fictício das empresas, tendo apresentado aos clientes, ora vítimas, a alegação de que iria migrar de “operações em bolsa de valores” para criação um “banco digital” e que deste novo empreendimento conseguiria honrar os contratos de pagamentos de valores, repita-se muitos superiores ao que o mercado real costuma pagar a investidores.
Operação

Foram mobilizados aproximadamente 70 Policiais Federais e 15 servidores da Receita Federal para o cumprimento de 17 mandados judiciais, nas cidades de Umuarama, Guaíra, Douradina, Foz do Iguaçu e Curitiba, no Paraná; e em Taboão da Serra/SP. Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o sequestro de automóveis, imóveis e criptoativos. As ordens foram expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba.
Investigação

A investigação iniciou em 2021 a partir da identificação das primeiras filiais das empresas de “operação em bolsa de valores” em pequenas cidades da fronteira paranaense com o Paraguai, como Guaíra, Douradina e Umuarama.

Segundo a autoridade policial, chamou atenção o uso, pelos líderes do esquema, de veículos de luxo, praticamente novos, na região de fronteira, incompatíveis com a renda declarada.

Durante as investigações, foi apurado que a organização criminosa captou e movimentou nos últimos anos valores que ultrapassam a cifra de R$ 200 milhões e fez milhares de vítimas nos Estados de SP, PR, RJ e SC, concentrando-se na região oeste paranaense e em Curitiba, na capital.

Os valores aplicados/investidos pelas vítimas variavam de R$ 1.000,00 (valor mínimo aceito pelo grupo), sem limite máximo. Vale destacar que algumas pessoas investiram cifras que ultrapassaram R$ 1 milhão.

Os valores eram depositados diretamente nas contas das empresas investigadas e depois transferidas, parcialmente, para as constas pessoais dos líderes do esquema.

A investigação segue em andamento e é feita em conjunto entre a Polícia Federal de Guaíra e o Núcleo de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil (Foz do Iguaçu).

A Comissão de Valores Mobiliários também colaborou com os trabalhos e acompanha as diligências em andamento.

Os envolvidos devem responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, Contra o Mercado de Capitais, Contra a Economia Popular, Organização Criminosa e Lavagem de dinheiro.

  • Comunicação Social da Polícia Federal em Guaíra/PR
  •  Imagens: PF

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