Umuarama

Contador reafirma pagamento de propina de empresas na Secretaria de Saúde

Em depoimento prestado à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Municipal de Umuarama, o contador Guilherme Roberto Pereira reafirmou que tinha conhecimento de pagamento de propina de empresas à ex-secretária Cecília (Cividini Monteiro da Silva) e a ex-diretora Renata (Figueiredo Campagnole de Oliveira). Os repasses mensais variavam de R$ 3 mil a R$ 5 mil.
Guilherme Pereira é um dos suspeitos investigados pelo Gaeco na Operação Metástase, que apura possível organização criminosa que teria desviado R$ 19 milhões do Fundo Municipal de Saúde, desde 2020. Ele está preso desde o dia 6 de maio, e atualmente recolhido no Complexo Médico Penal, em Curitiba. O depoimento dele foi por meio de videoconferência, nesta terça-feira (24).
Dizendo estar disposto a colaborar nas investigações e falar a verdade, o contador respondeu a todas as perguntas formuladas pelos membros da CPI. Além de Cecília Cividini e Renata Campagnole, ele citou outro ex-servidor da Secretaria de Saúde, de nome Elizeu, como possível beneficiário de propina ‘no começo’. Mateus Barreto o indagou se seria Elizeu Ampessan (Diretor de Atenção Primária demitido em fevereiro de 2021), mas ele disse não ter certeza. Quem repassava o dinheiro, segundo Guilherme, eram Dra. Daniela Azevedo e Lucia Sampaio, responsáveis por empresas contratadas pela prefeitura ‘com dispensa de licitação’. Ainda de acordo com o depoente, em dezembro de 2020 houve aditivo financeiro ao contrato de Daniela, mas o dinheiro não teria sido aplicado no serviço contratado, denunciou.
Investigado depôs por videoconferência.
Guilherme Pereira – conforme depoimento – prestava serviços para a Clínica Médica Daniela de Azevedo e Silva e a Sampaio Dias e Vasques de Souza – Serviços de Enfermagem, ambas alvo de investigação pela Operação Metástase.
O contador também respondeu sobre quais tipos de serviços prestava para as referidas empresas, destacando que suas atribuições eram voltadas ao controle do RH no que diz respeito aos funcionários que prestavam serviços para as empresas, por meio de contrato firmado mediante dispensa de licitação. Além da emissão de notas fiscais, orçamento e a planilha de cálculos para as empresas.
Referidos serviços eram prestados para o município no atendimento aos casos de Covid-19, por meio de recursos oriundos do Fundo Municipal de Saúde, responsável por gerir os investimentos no atendimento em saúde prestado pelo Poder Executivo Municipal/Secretária Municipal de Saúde.
O relator da CPI, Mateus Barreto e a presidente Ana Novais solicitaram que o depoimento do contador seja encaminhado ao Ministério Público. Barreto defendeu, inclusive, a prisão de Cecília Cividini e a revogação da prisão domiciliar de Renata e Lúcia Sampaio Dias. Os membros da CPI avaliam a possibilidade de uma segunda convocação de Cecília, Renata e Guilherme, para procedimento de acareação entre eles sobre propina. No depoimento inicial, elas se negaram a responder várias perguntas. O espaço está liberado para manifestação das acusadas.
André Buratti
O ex-diretor administrativo da Norospar, André Roberto Buratti seria a segunda testemunha a ser ouvida pela CPI. Ele não compareceu por conta de ter habeas corpus deferido pelo ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado pelo TJDFT), garantindo ao mesmo o direito de não comparecer à Comissão até que haja julgamento definitivo do processo em tramitação.
Os trabalhos da CPI (que tiveram prazos ampliados de 90 para 180 dias) seguem na próxima semana. No dia 31, devem ser ouvidos José Cícero da Silva Laurentino, ex-diretor de Assuntos Interinstitucionais da prefeitura e a médica Daniela Azevedo, da Clínica Médica Daniela de Azevedo Silva. Por estarem detidos, os depoimentos dos investigados também devem ser prestados por videoconferência.
Para o dia 8 de setembro está previsto a convocação de Marlowe Gusmão, mulher de Cícero Laurentino.
[Editoria Milênio/Assessoria]

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