Região

A morte trágica de um jovem carreteiro no Paraná

Uma fatalidade na rodovia entre Cascavel e Toledo

Alguns fatos trágicos marcaram a primeira semana de fevereiro de 2021. Mas um deles, ocorrido na região Oeste do Paraná, chamou mais atenção pelas circunstâncias.

Dois motoristas – pai e filho – acordaram cedo em Santa Terezinha de Itaipu, onde a família reside. Tomaram tererê, se despediram de familiares e cada um assumiu a direção de uma carreta modelo FH, carroçaria graneleira, e pegaram a estrada para mais um frete de transporte de cereais.

O destino era Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, distante cerca de 1.800 km de Santa Terezinha. O que era para ser mais uma viagem rotineira de serviço, se transformou em uma tragédia no caminho.

O pai Ademir com a sua carreta na frente. O filho Henrique, com a sua atrás. A primeira carreta iria parar em Assis Chateaubriand para embarcar uma peça metálica.

Foto: Reprodução | Henrique Matheus, 23 anos.

Era por volta das 8h daquela quinta-feira (4) quando as duas FH entraram pela Rodovia BR-467, entre Cascavel e Toledo. O pai relata que após passar o Rio Lopeí, avistou um veículo pequeno parado na lateral da via, e outro lento, ao passar por ele.

A reação do carreteiro foi reduzir a velocidade e desviar para a segunda pista para não provocar um acidente. O filho, que seguia atrás, ao completar uma curva, não esperava pela manobra brusca e bateu sua carreta violentamente na traseira daquela que era conduzida pelo seu pai.

O impacto foi forte. Parte da extremidade da carroçaria cortou a cabine de Henrique Matheus e prendeu seu corpo. Em seguida, o fogo começou a tomar conta daquele compartimento. O pai conta que ainda tentou acelerar sua carreta para se desprender, mas a ação não teve resultado.

Desesperado, tentou socorrer o filho que gritava por socorro, preso nas ferragens, mas as chamas o impediram. “Pai, não me deixe morrer! Eu amo todo mundo”, foram as últimas palavras proferidas por Henrique na agonia da morte iminente.

Foto: Reprodução | Uma carreta participou do cortejo fúnebre.

Um homem foi visto com um bastão na mão tentando ajudar no resgate, enquanto o fogo consumia a cabine da carreta acidentada. Um outro homem, em vez de apoiar, pedia pra ele se afastar porque o tanque de combustível poderia explodir – ‘já foi’… O ajudante solitário ainda justificava sua insistência: “Ele está vivo, estou conversando com ele”. Valeu pelo empenho e significância do ato.

A indignação de milhares de pessoas ficou por conta da inutilidade e indiferença de vários caminhoneiros e de motoristas de veículos menores que passaram pela rodovia naquele momento fatídico ao lado do sinistro. Preferiram ligar câmeras de telefones celulares e filmar as cenas a empunhar um extintor e contribuir na eliminação do incêndio para salvar uma vida. Instantes depois, as imagens se multiplicaram pelas redes sociais. A sensação foi de que faltou senso de humanidade aos pseudos ‘colegas’ de estradas.

O jovem caminhoneiro, de 23 anos de idade, morreu carbonizado, sem poder contar com a solidariedade e coleguismo de muitos que  proclamam ter.

Após o resgate do corpo do filho por soldados bombeiros, o pai encontrou uma Escritura Sagrada, livro preferido que o filho o mantinha no painel do caminhão.

Desde criança Henrique Matheus era apaixonado por caminhões. Aprendeu dirigir e, depois dos 20 anos, começou a viajar com a nova carreta da família, junto com o pai.

O sepultamento de Henrique Matheus aconteceu no final da tarde do dia 5 de fevereiro. Familiares e amigos lhe prestaram uma homenagem póstuma. A urna funerária seguiu ao campo santo em uma carreta que representou a sua última viagem. “Era meu grande companheiro nas estradas”, disse o pai. Se lhe resta consolo, é o fato de o filho ter realizado o sonho de ter um dia conduzido um bruto potente pelos caminhos do Brasil.

A vida importa!

Fotos: Reprodução.

 

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