Paraná

IAP e UFPR monitoram javalis em Vila Velha

(Assessoria)

Uma parceira entre o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) monitora a presença de javalis com câmeras de movimento no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. A espécie é considerada exótica invasora e sua presença pode causar danos a espécies nativas do parque e da região.

O projeto tem o objetivo de avaliar e monitorar a presença e a interação da espécie com a fauna e flora nativas da Unidade de Conservação. Além disso, o grupo de pesquisa também pretende avaliar as doenças que os javalis podem transmitir para a fauna nativa e doméstica, bem como zoonoses para as pessoas.

Para isso, os pesquisadores se deslocam com GPS dentro do parque para georreferenciar os dados da busca visual, complementada por fotocaptura com armadilhas fotográficas associadas à colocação de alimentos para atrair os animais. Cada uma das armadilhas fotográficas possui um dispositivo contendo uma câmera fotográfica acoplada a um temporizador e ao sensor, que detecta calor e movimento disparando automaticamente quando houver a presença de animais.

Além dos javalis, as câmeras já captaram imagens de famílias de catetos com filhotes, um veado e uma onça-parda. Em algumas imagens, foi possível observar morcegos hematófagos (transmissores da raiva) nas costas de alguns javalis.

Estudos anteriores realizados no Parque Estadual de Vila Velha já vinham registrando a extensiva ocorrência de javalis nos arredores e interior da unidade de conservação, o que causou preocupação de especialistas. Essa espécie é considerada como exótica invasora e tem causado impacto ambiental em várias regiões do Paraná e do Brasil, inclusive no Parque.

“A presença de espécies exóticas invasoras junto com nativas pode causar uma competição por recursos naturais e por espaço, o que, com certeza, causa prejuízos às espécies originais da Unidade de Conservação”, explica o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Guilherme Vasconcellos.

Segundo os pesquisadores já há registros de catetos, espécies nativas, em plantações de grãos nas áreas contíguas ao parque. “Os catetos na região normalmente se alimentam de frutos, folhas, raízes e tubérculos, mas com a concorrência e intimidação dos javalis, as plantações podem ter se tornado a única alternativa para obtenção de alimentos e sobrevivência”, explicou o professor Alexander Biondo, médico veterinário e coordenador da equipe da UFPR.

Outro impacto observado pela inspeção visual dos pesquisadores é o hábito de escavação (rooting) do solo por parte dos invasores, o que pode acarretar uma diminuição da cobertura vegetal, da diversidade e regeneração natural da flora, desequilíbrio de compostos como fósforo, nitrogênio, magnésio, manganês e zinco, alterando a estrutura e composição do solo.

Os javalis são considerados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) espécie exótica invasora em todas as suas formas, pois altera o ecossistema original e a biodiversidade nativa. Eles estão presentes em 46 unidades de conservação nacionais e estaduais.

A origem do javali de vida livre no Brasil é ainda controversa. Uma das explicações mais aceitas é a importação seguida de fuga em massa desses animais para os ambientes naturais por volta de 1914, resultando na sua difusão e proliferação. Acredita-se que a espécie se estabeleceu no estado do Paraná na década de 1970.

A possibilidade de abrigo, disponibilidade de alimento, ausência de predador natural suficiente para controle da espécie e a presença de extensas áreas de cultivo agrícola de cereais contíguas ao parque com fácil acesso corroboraram para a expressiva presença dos javalis no interior do Parque Estadual de Vila Velha e seu entorno.

Foto: Divulgação | Família de javali filmada pelo sistema de videomonitoramento em Vila Velha.
Foto: Divulgação | Presença de javalis no Parque Estadual  de Vila Velha.

 

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