Umuarama

Casa de Custódia terá capacidade para 700 presidiários

A Casa de Custódia de Umuarama terá capacidade para abrigar 700 presidiários em regime provisório (antes da condenação ou absolvição pela Justiça). Será uma unidade moderna, na tentativa de contribuir na ressocialização do detento. Eles serão mantidos em espaços diferenciados conforme o grau de periculosidade.

A unidade penal deverá ser construída em terreno de 36.300 m2, localizado ao fundo de uma Subestação de Energia Elétrica – Zona Sul da cidade. O imóvel a ser desapropriado pelo município e repassado ao Estado está avaliado em R$ 450 mil, mas o conjunto da obra é estimado em investimento de R$ 40 milhões. O prazo de construção será de 3 anos, com previsão de iniciar no segundo semestre deste ano.

Segundo Luciano Brito, Coordenador Regional do Depen (Departamento Penitenciário do Paraná), a Casa de Custódia vai oferecer pelo menos 350 empregos, sendo 150 agentes penitenciários que tem porte de arma – o que na sua avaliação representará mais segurança na região polarizada pelo bairro Conjunto São Cristóvão. Atualmente, mais de 5 mil pessoas residem naquela área.

O juiz de Direito Marcelo Liberati e o delegado de Polícia Civil Gabriel Menezes defenderam a implantação da Casa de Custódia. Liberati expôs a parte técnica e a visão do Judiciário, justificando a importância da obra, que resolverá o problema por um tempo razoável. Menezes, que já atuou na Delegacia Regional de Cruzeiro do Oeste onde está a Penitenciária Estadual, diz que não há indicativo de aumento de violência na região de unidade penal dessa natureza. “Com essa unidade teremos de 10 a 12 investigadores a mais na 7ª SDP de Umuarama”, informou. O policial complementou que maioria dos detentos do mini-presídio é da cidade mesmo, ou seja, já estão próximos de suas casas, de familiares. Atualmente a lotação é de 270 presos que vivem em condições desumanas, até se revezando em espaços para dormirem.

Até a Igreja Católica enviou uma carta escrita pelo bispo Dom João Mamede Filho e lida pelo padre Carlos Alberto Figueiredo. Defendeu a construção obra e contrariou moradores dos bairros.

Protestos de moradores

Foto: Reprodução | Moradores chegaram de ônibus, carros, motos e lotaram o plenário.Moradores do bairro São Cristóvão que protestaram na terça-feira na Rodovia PR-323 voltaram a se manifestar contra a construção da unidade penal durante a Sessão Extraordinária de votação do projeto de doação e destinação de terreno. O plenário da Câmara de Vereadores estava lotado e houve vaias para os defensores do projeto naquele local. As mais fortes soaram para Luciano Brito e para o vereador Mateus Barreto, que mudou de posicionamento e passou a defender presídio em bairro residencial. Moradores fizeram coro de ‘traidor’.

Famílias do São Cristóvão convivem há anos com o mau cheiro intenso exalado da Estação de Tratamento de Esgoto da Sanepar, naquele bairro, sem que haja providência de autoridades. O presidente da Associação de Moradores, Jean Carlos Felipe, disse que ninguém é contra a Casa de Custódia, mas ela não deve ser construída naquele lugar, porque representará mais um problema para as pessoas. Ele citou a insegurança com a presença de ‘pessoas estranhas perambulando pelas ruas’… “Não queremos ter o risco de vermos a violência crescendo no bairro”. E pediu mais diálogo.

Mesmo com protesto, o projeto apresentado pela prefeitura foi aprovado por cinco votos favoráveis: Mateus Barreto, Junior Ceranto, Marcelo Nelli, Ronaldo da Cruz Cardoso e Maria Ornelas. Votaram contra: Jones Vivi, Deybson Bitencourt e Ana Novais. Noel Bernardino (presidente só votaria em caso de empate) e Newton Soares não compareceu à sessão.

A segunda e definitiva votação do projeto está marcada para este domingo (7) às 10 horas. Pela política adotada, não se prevê reviravolta no resultado. O que pode acontecer é questionamento judicial por moradores que se consideram prejudicados com a obra naquela região.

(Da Editoria)

Foto: Reprodução | Local da Casa de Custódia – na Zona Sul de Umuarama.

 

Foto: Divulgação | Delegado Gabriel Menezes e outras autoridades falaram sobre o projeto.

 

Foto: Reprodução | Policiais civis, militares, guardas municipais e até agentes penitenciários – na Câmara.

 

 

 

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