Umuarama

Crianças indígenas não podem acompanhar os pais durante venda de artesanato

(Assessoria)

O coordenador técnico da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Paraná, Adir Carlos Velozo, e o cacique Ângelo Rufino, responsável pela tribo caingangue com base em Nova Laranjeira, estiveram em Umuarama no dia 26 de fevereiro. Juntamente com o prefeito Celso Pozzobom, a secretária municipal de Assistência Social, Izamara Moura e outros profissionais eles discutiram estratégias de atendimento e proteção às crianças indígenas que acompanham os pais em visitas periódicas à cidade para venda de artesanato.

Famílias da tribo que procuram a cidade ficam expostas a uma série de riscos. Representantes de diversas entidades assistenciais, Polícia Militar e o procurador da República, Elton Luiz Bueno Cândido, do Ministério Público Federal, acompanharam a reunião. O prefeito e a secretária Izamara expuseram fatos que mostram riscos à integridade das crianças – como exploração do trabalho infantil, permanência em condições inadequadas (sob o sol forte em semáforos e ao relento, durante a noite), situação de mendicância e riscos do trânsito.

“Além disso, essas crianças ficam em contato direto com usuários de drogas e álcool, prostituição, falta de abrigo, afastamento da escola e até exposição a relações sexuais em locais públicos”, acrescentou o inspetor Valdiney Rissato, comandante da Guarda Municipal. Após quase duas horas de discussão, o cacique foi orientado a informar às famílias algumas medidas que devem ser observadas durante a estadia em Umuarama.

Para evitar que a exposição a fatores de riscos, as crianças não deverão ficar nas ruas durante a venda do artesanato. O prazo determinado pelas fichas de controle assinadas pelo cacique deverá ser respeitado e as visitas não devem ocorrem durante o ano letivo, para evitar que as crianças faltem às aulas. “Reunimos representantes das entidades e da sociedade para dividirmos essa responsabilidade e atuarmos em sintonia. Ninguém quer tirar o direito de ir e vir da população indígena, mas estamos preocupados – e somos muito cobrados por isso – com a situação das crianças, afirmou o prefeito Pozzobom.

Uma comissão formada pela secretária Izamara e equipe técnica da Assistência Social vai visitar outras cidades para conhecer formas de acolhimento aceitas pelos indígenas. “Também queremos visitar a aldeia de Nova Laranjeiras para conhecer melhor a cultura caingangue, seus costumes, rotinas e modo de vida para orientar uma aproximação em futuras abordagens em Umuarama”, disse a secretária.

Foto: Divulgação | Autoridades discutiram proteção às crianças indígenas em Umuarama.
Foto:  Divulgação | Ficou decidido que crianças não vão mais acompanhar os pais na venda de artenatos na cidade.

 

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