Umuarama

Gavião ataca pessoas nas ruas de Umuarama

(Editoria)

Um gavião da espécie carijó está incomodando algumas pessoas moradoras na Rua Jandaia (próximo do cruzamento com a Rua Arapongas) em Umuarama. A qualquer hora do dia, a ave ataca quem se aproxima da área da ninhada construída no topo de um pé de jaca localizado em uma propriedade não habitada por humanos. Enquanto a fêmea se mantém no ninho, chocando os ovos, o macho protege a família, constituída de vários membros naquela região.

Ao perceber a invasão de estranhos no imóvel – ou muito próximo dele – o gavião começa a cantar, dando sinal de alerta. E não demora muito tempo para ele fazer um voo rasante, de alta velocidade, para afastar o que ele considera uma ameaça.

O gavião-carijó vive em casais que constroem um ninho de gravetos revestido por folhas com cerca de meio metro de diâmetro, geralmente no topo de uma árvore grande. As fêmeas apresentam os dois ovários desenvolvidos, em vez de apenas o esquerdo como as outras aves. A postura de em média 2 ovos é depositada sobre um revestimento de folhas secas e incubada pela fêmea. Durante este período de cerca de um mês, a fêmea é alimentada pelo macho. Os ovos são geralmente manchados, de cor muito variável, até dentro de uma mesma postura.

O servidor público municipal Valdecir foi uma das vítimas do gavião. A ave tentou atacá-lo seguidas vezes ao sair ou chegar em casa, após caminhadas. “O gavião riscou minha cabeça com as unhas (garras)”, conta. Agora, ele se previne usando boné para evitar mais incidentes com o vizinho intolerante.

Morador em imóvel em frente, o estudante de engenharia de alimentos Lucas Bazani Galinari, conta que um morador da casa também já foi atacado pelo gavião. “Moramos aqui há pouco tempo, mas sabemos desse gavião e estamos mais espertos”.

Outras duas vizinhas contam que já perceberam a presença das aves, mas que circulam pouco pela área e desconhecem o perigo. Como os gaviões fazem parte de espécies de aves de rapina que atacam com os pés, o risco maior é atingir os olhos de pessoas menos prevenidas.

Há alguns anos a reportagem do Terceiro Milênio foi acionada para acompanhar a mesma situação distante 200 metros dali, próximo ao portão 2 do Estádio Gigante da Baixada. A indicação é que essas aves mantêm famílias na região, onde procriam normalmente. O soldado Fábio, da Força Verde, explica que os gaviões geralmente procuram espaços seguros para se reproduzirem, e os ataques são considerados normais, instintivos nessa época. “Não seria recomendável removê-los desse lugar nesse momento, para não prejudicar o processo de reprodução das aves”, ele observa. Assim que os filhotes nascerem e voarem, os pais abandonam o ninho e se tornam menos agressivos.

Gavião Carijó

O gavião-carijó (Rupornis magnirostris) é uma ave de rapina Accipitriforme da família Accipitridae, predominante em todo o Brasil. É considerado o terror dos galinheiros. Também é conhecido pelos nomes de anajé, gavião-indaié, gavião-pinhel, gavião-pega-pinto, inajé, gavião-pinhé, indaié, pega-pinto e papa-pinto.

Como toda ave de rapina, tem um papel indispensável no equilíbrio da fauna, como regulador da seleção. Evita uma superpopulação de roedores e aves pequenas (como é o caso dos ratos e pombos nos centros urbanos), além de eliminar indivíduos defeituosos e doentes.

Pesa de 250 a 300 gramas e mede de 30 a 40 centímetros de comprimento, sendo os machos 20% menores que as fêmeas. Há grande diferença entre os adultos e os imaturos, sendo que os últimos podem ser confundidos com vários outros gaviões, pois apresentam a coloração marrom-carijó. Já os adultos apresentam a ponta do bico negra com a base amarelada. A cabeça e a parte superior das asas são amarronzadas, mas tornam-se cinza à medida que a ave amadurece. O peito é ferruginoso e apresenta largas estrias verticais. O ventre e as pernas são brancos, com primoroso barrado ferrugíneo. A base da cauda é branca, mas vai se tornando barrada em direção à extremidade. Existem duas listras negras bem visíveis na extremidade da cauda. Quando em voo, suas asas são largas e de comprimento médio. 

Deixe uma Resposta